Amor em pedaços

28

de
março

O choro


Imagem de Gauguin

 

Quando não conseguia dormir, pensava pensamentos bobos. Cultivava sonhos impossíveis, criava textos que nunca seriam publicados. Pensava em tudo, menos em alimentar esperanças futuras, rasos pedidos de desculpas.

Certo dia porém, quando se viu só, tentou pensar em um monte de coisa, mas o cérebro insistia em estar no comando. Os risos voltaram à tona. Era distingüível o dono do sotaque carregado. Lembrava-se de tudo, como se tivesse sido ontem.

Tentou não sucumbir a esses pensamentos e ligou a TV, deixando o volume bem alto.

A vontade era de ensurdecer a voz que vinha de dentro.

Deitou na cama e chorou. Chorou copiosamente, como se acabasse de perder um bebê.

Chorou pela vida toda, mais do que por aquele momento.

Cuspiu o emaranhado instalado em sua garganta. Cuspiu todas as decepções da vida.

Chorou alto, já que ninguém podia escutar.

Chorou o descaso das pessoas, chorou a vida que não deu trégua. Chorou o cachorro longe, a família e os amigos em seus rumos tão incertos. Chorou a solidão, o excesso de competição, a maldade das pessoas. Chorou as dores de cabeça, chorou o desejo de ser mãe, chorou não poder.

Chorou até que se cansou.

Levantou, tomou seu banho e se arrumou.

Não havia plano algum. Mas queria estar (bem) preparada para o que viesse.

Na cama, os lençóis molhados como se tivessem sido lavados.

Ela lavou a alma.

11

de
março

O problema de cada um

Em relacionamentos, tenho sido mais observadora que personagem, ultimamente.

Coisas das circunstâncias…

 

Me deparo com amigas passando por diferentes problemas, mas todas elas (e eu também!) sem nenhuma resposta.

 

Uma amiga mora com o namorado. Ele é de casa. Não troca os chinelos pelo desconforto dos sapatos nem nos fins de semana. Enquanto isso, minha amiga vive com o  zumbido no ouvido. (Sabe quando, mesmo em casa, na cama, ouvimos o tumtitumtitumti?) Não vive sem festas, capaz de sair de uma e ir noutra, sem nem saber da casa.

 

É possível que pague caro numa fórmula que ‘desperte’ o namorado.

 

Ela deseja a companhia do parceiro.

 

 

Outra amiga, que também mora com o namorado, não vê a hora que ele saia de casa. Ela quer a casa para ela. Quer poder dormir na transversal, colocar um pijama puído.

 

Quer ele, mas só de vez em quando. Se possível, com hora marcada na agenda.  E ainda garantirá os segredos que mantém.

 

Anseia por ficar a sós, com ela mesma.

 

 

Tenho amiga que quer se casar. Procura apartamento com o namorado, esquece a traição. Quer morar com o amado, mas quer mais ainda, garantir o compromisso, firmar a lealdade. Pretende ser rápida. Não quer dar tempo para que outra venha lhe competir.

 

Ela deseja exclusividade com firma reconhecida.

 

 

Outra amiga, com o aro dourado no anelar direito, acaba de descobrir uma infidelidade. Quer esquecer tudo, rasgar fotos, desfazer a conta conjunta.

 

O pretendente faz vigília em sua porta, mas ela não perdoa. Trocou a fechadura.

 

Essa amiga está valorizando muito sua liberdade.

 

 

Há uma outra que sofre a falta de liberdade do namorado, outra que não suporta a idéia de ter que dividir o amado com o filho e os passeios de pai-e-filho; outra amiga não sabe mais o que fazer com a insistência indiscreta e indevida de uma ex de seu atual. Outra não agüenta a distância e a saudade do namorado, e quer desistir de seus sonhos na capital. Tenho amiga que sofre de fobia crônica de compromisso. A outra, mudou toda a vida e descobriu que errou, mas não sabe como recomeçar.

 

 

Nenhuma delas está 100% satisfeita. A lista de reclamações é grande.

Mas quando cada uma se escuta, exala-se confiança.

 

 

Ao se ouvir o problema alheio, a sensação é de que os que se vive são menores, corrigíveis. 

 

A dor se transforma em alívio.

 

E eu, que sempre achei que o meu problema era maior que o de cada um, já que era MEU… Vou ter que me reinventar.

3

de
março

O ponto final

 

As orações precisam de um desfecho.

Quando um texto se torna muito repetitivo, é hora de começar um novo parágrafo ou senão abandonar aquele esboço. Dar fim a ele.

 

Foi isso. As frases que terminavam em interrogações e reticências me cansaram. Preciso de certeza, seja qual for.

 

Talvez, nós mulheres, ao nos depararmos com vírgulas, agimos sem pensar, e instintivamente, damos continuidade ao texto, mesmo que ruim, mal escrito, mesmo que sós.

 

A interrogação nos instiga. Queremos responder. Temos resposta para tudo!

As reticências então… soam como um suspiro. Como uma tomada de ar breve para dar mais fôlego. Quase um novo começo.

 

Homens são covardes. Colecionam textos inacabados, histórias sem fim.

 

Já fui personagem de uma história dessas. Escrevia sempre, buscando minhas melhores palavras, tomando cuidado com a ortografia, inventando novas rimas.

 

Um dia me dei conta. Estava sozinha.

A letra era toda minha. Cabia apenas a mim o desfecho. Coloquei sozinha o ponto final.

 

Joguei fora o livro, que se repetia da primeira à última página. Monótono.

 

O personagem se repetia em outras histórias. Enquanto eu era fiel ao nosso texto, ele participava de novos livros. Todos sem fim, na prateleira, na espera ansiosa.

 

Dessa vez fiz melhor. Nas primeiras linhas que começaram a surgir apenas os meus grafismos, me antecipei e pus fim à história.

 

Prometia ser uma história longa, dessas de sucesso.

 

Mas não se deve comprar um livro pela capa.

 

O conteúdo mudou. Agora o livro deve ir pra outra prateleira. A das histórias bem vividas e acabadas.

 

Já estou com o lápis e a borracha nas mãos, de frente para a página em branco, desejosa de escrever de novo.

Vou começar sozinha. O primeiro capítulo é só meu.

23

de
fevereiro

Tem conserto?

Foto tirada pelo meu amigo querido, Pedro Sanguinetti

 

 

A quem você quer enganar?

E eu? A mim mesma?

 

Por que não seguimos com as nossas vidas, preparemos para conhecer gente nova, outras caras, novas falas.

 

Por que não vivemos a vida pelo jeito mais simples e que sabemos qual é? Para que insistirmos nessas dúvidas constantes? Por que não aproveitamos nossos bons momentos e deixamos de desenterrar mortos, reviver mágoas, relembrar frases?

 

Estava me esquecendo de tudo. Estava disposta a partir para outra. A aprender com os erros e esquecer os fatos. Mas você veio, de mansinho, e quando me dei conta, estava trazendo tudo à tona.

 

Carregava consigo tantas questões, que quando menos esperava, você cobrou as respostas com juros e correção. Foi injusto comigo. A minha roupa suja já estava secando no varal.

 

O racional é virarmos as costas e seguirmos, como se não houvesse tido esse tempo. O mais plausível é nos convencermos de que houve muito mais influências do que julgávamos. Houve mais mal entendidos que pedidos de desculpas, que arrependimentos.

 

O racional é deletarmos esses poucos dias. Voltar atrás e nem se expor à sua família. Continuar com o apoio intacto deles.

 

O que não sabemos é se estamos desistindo cedo demais. Se estamos abandonando o jogo na primeira dificuldade (e afinal de contas, não sabíamos de todas elas?).

 

Queríamos uma certeza. Nunca a teremos.

 

Para tudo o que decidirmos, permanecerá a dúvida de qual terá sido a melhor escolha. É como aquela música que os Titãs cantam: "…é cedo ou tarde demais pra dizer adeus, pra dizer jamais?"

 

Não sabemos. Não sabemos o que nos espera. Os desafios que teremos que enfrentar, e mais ainda: não sabemos se queremos.

 

Eu não sou masoquista. Não vou viver nada que no fim das contas, no mínimo, não me proporcione coisas boas.

O problema foi que você mudou muito. Diz coisas colocadas em sua boca, pensa com outras cabeças.

Eu não sei se quero arriscar a incerteza de quem me cobria de certezas.

 

Sei que amar já não basta. Que querer estar junto não é o suficiente.

Sei que teremos que estar preparados para o que decidirmos.

 

Qualquer opção agora deverá ser mantida. Sem escapes, sem momentos, sem desculpas, sem justificativas.

Deixa eu pensar. Deixa eu ver se adianta.

9

de
fevereiro

E agora?

E agora?

 

E agora você surge como se nada tivesse acontecido, ri como se não tivesse chorado tanto.

 

Volta como se tivesse chegando de uma breve viagem e abre os braços que desejam encontrar meu abraço.

Espera de mim uma ansiedade de reencontro assim como a sua, que finge esquecer os motivos do nosso sumiço.

 

Os dias se passaram. Pensamentos vários vieram à mim. Desejei coisas boas e ruins a ti.

Já iniciei as mudanças da minha vida e comigo mesma.

Não esperava esse retorno. Não dessa forma.

 

Não vieste com um pedido de desculpas. Desembarcou como um continuísta, que só quer saber "onde foi que paramos?" para seguir adiante com a estória.

 

Eu não! Continuei seguindo os dias, e assim como o calendário, passei por todos eles, sem deixar nenhum em branco! Conheci gente diferente, freqüentei lugares novos. 

Chorei o que tive que chorar e me esforcei a rir.

 

Será que para você nada mudou?

 

Também tento esquecer as coisas ruins que me acontecem. Mas não por completo. Não posso correr o risco de reviver meus erros sem nenhum aprendizado. Não posso nem me dar a esse luxo.

 

E agora vem você, contando suas piadas, chamando pelos velhos apelidos, pedindo os mesmos beijos.

 

Mas as coisas não são tão fáceis. Não há como voltarmos atrás e mudarmos o que aconteceu. Nem como seguirmos em frente e esquecermos as razões que nos trazem aqui, nesta situação. 

 

O mérito agora não é quem está certo ou errado. A questão ultrapassa o simples pergunta x resposta. Muitas coisas devem mudar, e elas nem te dizem mais respeito. A mim também não…

 

Vamos esperar… ainda é cedo demais. Ou não.

 

 

 

 

1

de
fevereiro

Diferentes amores

Sou só eu quem penso que existe amor diferente?

Bom, primeiro explico:
A minha ‘teoria’ é de que nenhum amor é igual ao outro.
Os pais não amam seus filhos da mesma maneira, assim como amor ao pai e à mãe são diferentes.
Talvez não mais ou menos. Nem uma coisa é melhor ou pior que a outra. Nada disso.

Eu só penso que o amor é feito de um monte de coisas, e uma delas é a afinidade. Temos mais afinidade com o pai ou com a mãe, e isso não quer dizer que preferimos um ao outro, apenas que temos mais afinidade com um; o amor é diferente.
Ainda reitero que as afinidades são passageiras. Não. As afinidades mudam conosco e com o tempo.
Tem época de se preferir quem escute, e tem a de preferir quem fale.

Só quis explicar que para mim, nenhum amor é igual ao outro.

Eu amei de formas, intensidades, sabores e entregas diversas.

Meu primeiro amor foi platônico. Amava sozinha, calada e feliz.
Já amei de corpo, alma e coração. Amei só de corpo também.
Amei certezas, amei dúvidas. Amei projeções, atitudes, e amei muito, mas muito mesmo, promessas.
Amei carne-e-osso, amei virtual.
Amei homens bons e outros nem tanto. Homens ruins também.
Mais novos e mais velhos.

E nenhum deles foi igual.

Já amei de ser mãe e de ser filha. Já fui até a irmã que não existia.
Já amei com muita inocência e foi muito diferente de quando amei com desconfiança.

Já amei maternalmente. Daquele amor de cuidar do lar, do almoço e jantar, das roupas limpas e bem passadas. De cuidar da casa arrumada, dos filhos na escola. O cuidar minucioso.

Já amei paternalmente. Amava protegendo. Fazia os roteiros das férias, cuidava dos detalhes, pagava as contas. Amor de pai mesmo, do tipo que cuida da estabilidade, das economias.

(Talvez a mulher ame para dentro e o homem para fora.)

Se me perguntares quem mais amei, não sei responder.
Sei que amei quem nem me lembre mais, diferente de quem me lembre demais.
Não me arrependo de nenhum amor. Por mais frustrante que o desfecho tenha sido, valeu a pena. Em cada amor, por mais breve que foi, fui sempre feliz.

Para mim não há amor sem felicidade e nem felicidade sem amor.

25

de
janeiro

Dúvidas

Faz tempo não posto aqui…

Não sei mais o que dizer. Um vazio me preenche. O pior é que sei por quê. E nada faço.
Ultimamente tenho me ocupado tanto em mostrar "isso" e "aquilo" que nem sei mais quem sou.

Sou a pessoa forte, que depois do fim de um relacionamento que foi muito bom está feliz, se sentindo realizada e certa de que era a melhor coisa e muito grata a tudo o que foi,
Sou também alguém tentando disfarçar a tristeza, solidão e falta que me assolam, sentindo raiva de tudo o que aconteceu, não querendo ver ninguém, nem em ouro.

Não sei se sou eu mesma quando digo que não tenho vontade nenhuma de ligar, de saber como está, e não quero nem ver.
Ou talvez seja eu quando grito que preciso ter notícias, que quero ver, quero abraçar, beijar, saber de tudo.

Quando me perguntam se há alguma possibilidade de volta, lá vou eu apressada negar enfaticamente. Mas eu também ando nas nuvens quando expõem suas opiniões de que muita água vai rolar e que nada ainda acabou definitivamente…

Não sei se me considero a mais nova solteira do pedaço e saio pela noite com o pensamento de quem não deve nada a ninguém.
Não sei se fico em casa, esperando notícias ou um convite dele.

Não sei ainda o que quero, o que sinto ainda está muito confuso.
Eu preciso me decidir, me posicionar, mas sei que qualquer decisão tem que ser muito bem pensada.

Não sei se ligo, procuro ter notícias ou se rasgo as fotos e apago os números.

Talvez seja melhor para mim mesma a indecisão. Eu tenho o direito de não ter uma opinião formada.

Eu ainda não sei o que é melhor pra mim…

14

de
janeiro

Mãe-remédio

 

A minha mãe é tudo. Ela ainda carrega consigo tudo o que se pode definir nessa expressão. Sim, para mim, MÃE, PAI, FAMÍLIA, AMIZADE, AMOR são expressões, e não meras palavras, como ontem, sede, chuva e laço.

 

Desde criança sempre fui louca por ela. Ainda me lembro de correr aos seus braços com todas as dores que minha imaginação permitia, para que ela pousasse suas mãos em mim e eu melhorasse. Saía correndo, gritando que as mãos de minha mãe eram milagrosas. Fiz tanta propaganda que tinha fila de primos para que ela "atendesse".

 

Hoje não tenho mais o dengo daquela época, mas ainda acho que as mãos dela curam.

Cresci e descobri mais: suas palavras curam também.

 

A minha mãe é daquelas mães que fazem de tudo, tudo, tudo pelos filhos. Dessas que ligam e perguntam se nos alimentamos direito, se pagamos as contas, se saímos com o cartão do plano de saúde, se a dorzinha que incomodava já passou…

 

Mas não se iluda em pensar que minha mãe é superprotetora. Não é. Ela sofreu (nós também), mas já nos deixou voar faz muito tempo. Sabe que crescemos, respeita nossas opiniões, nosso espaço e nosso tempo.

 

Ela não liga para cobrar, para saber onde e com quem estamos. A minha mãe liga para que saibamos ela lá. É como se dissesse: "Estou aqui. Para o que precisar. Sempre."

 

E está mesmo. Basta um telefonema e já sei. Consegue estar onde quer que eu esteja, sempre, sempre ao meu lado - e nem sempre do meu lado…

 

Mas à distância, suas palavras é que se tornam curandeiras. Melhor que Prozac, mais eficiente que Lexotan, as palavras de minha mãezinha curam como nenhum remédio.

 

 

E quem a conhece sabe. É a tia mais legal, a filha mais amorosa, a irmã mais cuidadosa, a melhor amiga, a patroa mais atenciosa, a esposa companheira. É doce, cândida, pura e fascinante. Incapaz de fazer algum mal.

 

Nesses últimos tempos, a minha mãe fez por mim mais do que poderia imaginar. Foi mais que minha melhor amiga, foi o meu momento de paz. Foi contra si e a favor de mim - ok, nem sempre disse palavras confortantes, mas disse o que eu precisava ouvir. Mas acima de tudo, negou sua frase preferida, só porque se colocou em meu lugar e quis o melhor para mim.

 

Agradeço sempre por tê-la comigo. Agradeço por ser filha dela. E é claro, me esforço para que seja boa com ela como ela é comigo (não sei se consigo).

 

 

Para tudo na minha vida, sempre peço que ela reze por mim. É como se suas preces valessem mais, surtissem maiores efeitos.

 

Mas eu já sei por quê. É que ela é divina, e se comunica diretamente com os céus.

 

 

A minha mãe é o meu remédio. Ela é o meu anjo de cabeceira. 

12

de
janeiro

Carta sem destinatário

 

Onde foi que erramos?

 

Talvez foi porque deixamos de nos escutar e começamos a escutar os outros.

 

Deixamos de vivermos juntos, a nossa vida, para vivermos a vida de quem quer que fosse.

 

Talvez a intimidade ultrapassou nossos limites aceitáveis. As viagens, muitas delas, eram dispensáveis. Poderia ter sido a oportunidade para sentirmos saudade, mas a gente forçou tanto, que se transformou em mais um fator do desgaste.

 

Quisemos viver tudo em tão pouco tempo, que desafiamos as leis da natureza. Debitamos mais do que creditamos, saímos no vermelho.

 

Prometemos mais do que algum dia, poderíamos cumprir.

 

Desgastamos as nossas amizades, envolvemos as nossas famílias.

 

Deixamos de ser 2 e fomos 5, 6, 8 e até 10.

 

Namoramos mais em público do que entre quatro paredes. Não fomos cúmplices quando precisava, não aproveitamos o silêncio. Fui mãe e você foi filho, mas eu nunca quis você como filho e você já tem a sua mãe.

 

Na tormenta, você se virou e foi. Não te perdôo por isso. Hoje não. E talvez nunca consiga.

 

Apagaste todo o tempo que ficamos juntos; lembra-se apenas das últimas horas. Lembra-se do que falei, mas esqueceu-se por completo do que ouvi. Foi sucumbido às ameaças, às chantagens. O seu bolso pesou mais que seu coração.

 

Não quis me ouvir e nem se colocou em meu lugar. Talvez no fundo, eu te compreenda. Mas há em mim uma parte muito grande que se sente abandonada. Isso, sem levar em conta o desrespeito, a desconsideração.

 

A sua dependência afetiva é determinante. Te conheço, sei disso. Mas nada justifica a sua voz muda. Nunca quis que se pusesse contra eles e a favor de mim. Isso seria exigir demais de você. Só esperei de ti mais presença, mais consideração, e principalmente, mais respeito com tudo o que vivemos.

 

Imagino que hoje, quando perguntado como estás, abres um sorriso e diz-se muito bem.  Promete um ano animado, diferente dos que foram. Engana a todos e a você mesmo.

 

Quanto a mim, estou indo, tentando ficar bem. Conheci seu lado infantil, seu lado despreparado e influenciável. Assisti a um jogo baixo, que excluía as únicas pessoas envolvidas em tudo: eu e você. Não foste homem, não teve culhão, não honrou suas palavras. Se assumiu como um frágil ser que necessita ser cuidado, seu personagem favorito. 

 

Todo o meu respeito. (reverências)

 

Acho que mesmo depois de tudo, eu ainda estou melhor. Cortei meus laços com você e com todo o resto que você carregava. Você continua com a casa lotada. Estou aqui, trilhando meu caminho, como alguém que toma as próprias atitudes, que tenta acertar, mas que erra muitas vezes (sou humana!). E quando erro (e acerto também), sei que posso contar com a minha família, com os meus amigos, comigo mesma.

 

Sabe, eu tenho as rédeas da minha vida. E não há mais nada que eu queira.

 

E você me dá licença, que vou ser feliz!

 

12

de
janeiro

Ano Novo, tudo novo!!

2008 nem começou direito - são apenas 12 dias - e já tem surgido efeito em minha vida.

 

Comecei o ano com o pé direito (acho!).

 

Mudei o endereço do meu blog e selecionei os textos que mais gosto para publicar aqui, que a partir de agora será o meu querido blog secreto; rompi um relacionamento de quase três anos; estou começando num emprego novo e de mudança para um novo endereço, com tudo novo também.

 

De velho até aqui, só eu, minha família e amigos.

 

Que Deus reserve para mim e para todas as pessoas boas de alma um ano excelente, repleto de realizações e conquistas. Que 2008 seja o ano dos sentimentos sinceros e puros.

 

Oxalá!!

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