Amor em pedaços

26

de
junho

A velhice

De volta…

Estive uns tempos na casa dos meus avós, vivi a vida deles por duas semanas.

 

Voltei para casa arrasada.

 

Meu Deus! O que é a velhice para meus avós! E será que vai ser assim comigo?

 

Envelhecer é sentir as mudanças do corpo e não poder fazer nada?

 

É ter na gaveta mais xaropes, pomadas e comprimidos que fotos das amigas, cartas do namorado?

 

É andar com dificuldade e ver na parede troféus e medalhas de competições de corrida?

 

É passar as tardes só, esperando alguma visita? 

É contar os mesmos casos, as mesmas piadas, as mesmas estórias repetidamente, sem perceber?

(E com isso notar a falta de paciência das pessoas?)

 

Envelhecer é não ter mais o tempo e fazer tudo como se fosse pela última vez?

 

É se deparar com a morte e fingir naturalidade?

 

É não se lembrar do começo e temer o fim?

 

 

É ter que superar a perda de pai, mãe, alguns irmãos, talvez filhos?

 

É viver cheio de manias e pensar que está muito tarde para mudar?

 

É ir ao supermercado para comprar arroz e trazer açúcar?

 É ter falhas de memória? É ficar esclerosado?

 

É pedir e ser atendido?

(E sentir a doação mais como obrigação do que vontade própria?)

 

 

É ter hábitos ultrapassados que viram chacota na família toda?

 

É querer todo mundo reunido no Natal mas não mais admitir barulho?

  

Não consigo me imaginar vivendo assim, mas como sempre diz o meu pai, "envelhece quem está vivo".

Então, que venha os próximos (muitos) anos!

 

9

de
maio

Ele x Ela

Arte de Sophia Breyner

 

Ele: noite
Ela: dia

Ele: Leão
Ela: Touro

Ele: emoção
Ela: razão

Ele: montanha
Ela: praia

Ele: certezas
Ela: dúvidas

Ele: carro
Ela: caminhada

Ele: carne
Ela: chocolate

Ele: comédia
Ela: drama

Ele: matemática
Ela: português

Ele: deitar
Ela: passear

Ele: Senna
Ela: Picasso

Ele: ouvinte
Ela: falante

Ele: pontual
Ela: atrasada

Ele: azul
Ela: vermelho

Ele: Grêmio
Ela: Cruzeiro

Ele: Yin
Ela: Yang

Ele: polidez
Ela: explosão

Ele: Chaves
Ela: Rivotril

Ele: ela
Ela: ele

1

de
maio

Amanhã - Carta a um destinatário

Escrevi esse texto depois de assistir a esse vídeo, assistam!
http://www.youtube.com/watch?v=ZF5RiN6lF7s

Há!

Olha eu aqui, sozinha (sabe que estou adorando isso?), bem na véspera de meu aniversário, e fazendo o que mais gosto nessa época do ano: refletindo.

E não é que todos os meus pensamentos só me levam a uma única pessoa?
Claro que sorrio e comemoro minha relação com meus pais, cada vez mais madura e consciente. Claro que valorizo (muito!) a volta à convivência com a minha amada irmã, sustentáculo de minha vida.

Reconheço cada pessoa atuante na minha vida, assim como minhas amigas.
Mas sabe que é de você quem me lembro mais?

Assistindo a esse vídeo do YouTube (5 vezes?!!), pausei em cada fala, a cada fim de frase. E não é que o danado mexeu comigo?

Não é que ele fala de amanhã?
Justo o amanhã, aquele tempo que eu mais temia. Justo o amanhã, aquele que eu mais esperava, torcendo para que algo melhorasse. Justo o amanhã, que chegava e não me aliviava.

O texto narrado fala de acordar para a realidade ou viver num sonho.
E eu? O que estava fazendo? Dormindo todo o meu tempo ocioso para não encarar a realidade, ou melhor, não sofrer com ela.

Fala de sentir, ao invés de fingir. Ah não!! Não poderia ser menos direto?
O que dizia um texto do meu blog? Bom, você não o leu, mas eu disse cansada de fingir. Cansada de esconder e vontade de escancarar o que sentia.

O vídeo fala da paixão que não se controla. E o que é que tenho feito?
Vivo controlando o meu descontrole. Sigo me privando de tudo o que me deixa faltar o ar, tremer as pernas, descompassar o coração. Tenho sido monótona em minhas regras.

E agora estou eu aqui, rindo como uma besta.
Rindo porque posso compartilhar a mensagem com você.
E sabe? Não tenho pensado no futuro, não tenho feito planos, projetos.
Tenho estado mais preocupada com o meu amanhã. Tenho preferido cuidar do meu coração e da realização dos meus desejos do que irão pensar as pessoas. Tenho pensado mais no amanhã do que no dia de seu aniversário, no próximo feriado ou no Natal. Um dia eles virão, mas eu não sei de nada.

Como perfeitamente dito nesse vídeo, eu só espero que AMANHÃ eu veja (e sinta) que HOJE valeu a pena.

OBS: "A paixão é o que faz coisas iguais serem diferentes" - escrevo o texto e me traz à tona sentimentos reais. Estou tremendo e emocionada.
Você me tira da mesmice.

Só queria que você soubesse disso.
Obrigada, você faz meus hoje’s valerem a pena.

TE AMO AD ETERNUM, aconteça o que acontecer.

Beijos,
Eu

11

de
abril

Cotidiano

 

Epidemia de dengue. Insônia. Menina Isabella jogada do 6º andar. Conta de telefone caríssima. Necessidade de comprar ainda vários móveis. Prefeito com um milhão de reais em casa. Adolescente que toma remédio para abortar. Procura cansativa por emprego. Brasileiros barrados nos aeroportos da Espanha. Remédios mais caros. Brasileira que derrubou o governador de Nova York. Solidão. Barulho na porta. Cartão de crédito no limite. Queda e subida do dólar. Medo de dirigir. Coração enganado. Pós graduação no fim. Gustavo libertado. Acidente fatal com o pai da Cassiana. Professor arrogante. Supermercado cada dia mais caro. Rivotril 1,5 mg. Preguiça. Leva-e-trás da ajudante. Acidente na serra. Rodrigo Santoro solteiro. Cirurgia do avô. Disse-me-disse. Inchaço da mãe. Cobranças. Eric Morillo. Prova imensa. Mentiras. Adolescente que matou a mãe a facadas para ir ao show do Calypso. Enjôo de carne de frango. Saudade do ex. R$ 700,00 para refazer uma matéria de 15 horas. Congestionamentos. Filho do Maurício de Souza seqüestrado. Vontade de mudar de mundo. Macaco Simão promovendo grandes risadas. Cafémania. Novelas ridículas que educam mais da metade do país. Sonhos recorrentes. Necessidade de fazer exercício. Ingrid Betancourt ainda seqüestrada. Fotos do celular que não passam para o computador. Grêmio fora da Copa do Brasil e do Gauchão. Dança do Créu. Aula de inglês. Telefone que não toca. Tocha Olímpica e protestos. Sirenes. Controle remoto perdido. Calor. Piscina suja. Cobrança indevida na conta corrente. CD do Windows sumido. Estudante baleada na faculdade pelo ex-namorado. Cabelo sem corte. Queda de avião. Ana Laura grávida. Projeto aplicativo. Prefeitos e juiz federal presos. Novas amizades. Habeas corpus para Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Namorado da irmã. Manifestações pró liberdade no Tibet. Pilha recarregável por USB. Ciúmes. Eleições norte-americanas. Aniversário chegando. Maconha plantada no campus da UFSC. Livro de gestão de marcas. Dossiê da Dilma Rousseff. Colheita de café. Buzinas. Festas de Uberaba. Felipe Massa campeão no Bahrein. Mallu Magalhães. Novo clipe da Madonna. Aniversário da Marianinha. Norte americana que cria ratos em casa. Atividade prévia de MKT 103. Franja incômoda. Limewire. Saudade de novo.

 

Não há poesia no cotidiano.

Nem cores.

 

 

 

28

de
março

O choro


Imagem de Gauguin

 

Quando não conseguia dormir, pensava pensamentos bobos. Cultivava sonhos impossíveis, criava textos que nunca seriam publicados. Pensava em tudo, menos em alimentar esperanças futuras, rasos pedidos de desculpas.

Certo dia porém, quando se viu só, tentou pensar em um monte de coisa, mas o cérebro insistia em estar no comando. Os risos voltaram à tona. Era distingüível o dono do sotaque carregado. Lembrava-se de tudo, como se tivesse sido ontem.

Tentou não sucumbir a esses pensamentos e ligou a TV, deixando o volume bem alto.

A vontade era de ensurdecer a voz que vinha de dentro.

Deitou na cama e chorou. Chorou copiosamente, como se acabasse de perder um bebê.

Chorou pela vida toda, mais do que por aquele momento.

Cuspiu o emaranhado instalado em sua garganta. Cuspiu todas as decepções da vida.

Chorou alto, já que ninguém podia escutar.

Chorou o descaso das pessoas, chorou a vida que não deu trégua. Chorou o cachorro longe, a família e os amigos em seus rumos tão incertos. Chorou a solidão, o excesso de competição, a maldade das pessoas. Chorou as dores de cabeça, chorou o desejo de ser mãe, chorou não poder.

Chorou até que se cansou.

Levantou, tomou seu banho e se arrumou.

Não havia plano algum. Mas queria estar (bem) preparada para o que viesse.

Na cama, os lençóis molhados como se tivessem sido lavados.

Ela lavou a alma.

11

de
março

O problema de cada um

Em relacionamentos, tenho sido mais observadora que personagem, ultimamente.

Coisas das circunstâncias…

 

Me deparo com amigas passando por diferentes problemas, mas todas elas (e eu também!) sem nenhuma resposta.

 

Uma amiga mora com o namorado. Ele é de casa. Não troca os chinelos pelo desconforto dos sapatos nem nos fins de semana. Enquanto isso, minha amiga vive com o  zumbido no ouvido. (Sabe quando, mesmo em casa, na cama, ouvimos o tumtitumtitumti?) Não vive sem festas, capaz de sair de uma e ir noutra, sem nem saber da casa.

 

É possível que pague caro numa fórmula que ‘desperte’ o namorado.

 

Ela deseja a companhia do parceiro.

 

 

Outra amiga, que também mora com o namorado, não vê a hora que ele saia de casa. Ela quer a casa para ela. Quer poder dormir na transversal, colocar um pijama puído.

 

Quer ele, mas só de vez em quando. Se possível, com hora marcada na agenda.  E ainda garantirá os segredos que mantém.

 

Anseia por ficar a sós, com ela mesma.

 

 

Tenho amiga que quer se casar. Procura apartamento com o namorado, esquece a traição. Quer morar com o amado, mas quer mais ainda, garantir o compromisso, firmar a lealdade. Pretende ser rápida. Não quer dar tempo para que outra venha lhe competir.

 

Ela deseja exclusividade com firma reconhecida.

 

 

Outra amiga, com o aro dourado no anelar direito, acaba de descobrir uma infidelidade. Quer esquecer tudo, rasgar fotos, desfazer a conta conjunta.

 

O pretendente faz vigília em sua porta, mas ela não perdoa. Trocou a fechadura.

 

Essa amiga está valorizando muito sua liberdade.

 

 

Há uma outra que sofre a falta de liberdade do namorado, outra que não suporta a idéia de ter que dividir o amado com o filho e os passeios de pai-e-filho; outra amiga não sabe mais o que fazer com a insistência indiscreta e indevida de uma ex de seu atual. Outra não agüenta a distância e a saudade do namorado, e quer desistir de seus sonhos na capital. Tenho amiga que sofre de fobia crônica de compromisso. A outra, mudou toda a vida e descobriu que errou, mas não sabe como recomeçar.

 

 

Nenhuma delas está 100% satisfeita. A lista de reclamações é grande.

Mas quando cada uma se escuta, exala-se confiança.

 

 

Ao se ouvir o problema alheio, a sensação é de que os que se vive são menores, corrigíveis. 

 

A dor se transforma em alívio.

 

E eu, que sempre achei que o meu problema era maior que o de cada um, já que era MEU… Vou ter que me reinventar.

3

de
março

O ponto final

 

As orações precisam de um desfecho.

Quando um texto se torna muito repetitivo, é hora de começar um novo parágrafo ou senão abandonar aquele esboço. Dar fim a ele.

 

Foi isso. As frases que terminavam em interrogações e reticências me cansaram. Preciso de certeza, seja qual for.

 

Talvez, nós mulheres, ao nos depararmos com vírgulas, agimos sem pensar, e instintivamente, damos continuidade ao texto, mesmo que ruim, mal escrito, mesmo que sós.

 

A interrogação nos instiga. Queremos responder. Temos resposta para tudo!

As reticências então… soam como um suspiro. Como uma tomada de ar breve para dar mais fôlego. Quase um novo começo.

 

Homens são covardes. Colecionam textos inacabados, histórias sem fim.

 

Já fui personagem de uma história dessas. Escrevia sempre, buscando minhas melhores palavras, tomando cuidado com a ortografia, inventando novas rimas.

 

Um dia me dei conta. Estava sozinha.

A letra era toda minha. Cabia apenas a mim o desfecho. Coloquei sozinha o ponto final.

 

Joguei fora o livro, que se repetia da primeira à última página. Monótono.

 

O personagem se repetia em outras histórias. Enquanto eu era fiel ao nosso texto, ele participava de novos livros. Todos sem fim, na prateleira, na espera ansiosa.

 

Dessa vez fiz melhor. Nas primeiras linhas que começaram a surgir apenas os meus grafismos, me antecipei e pus fim à história.

 

Prometia ser uma história longa, dessas de sucesso.

 

Mas não se deve comprar um livro pela capa.

 

O conteúdo mudou. Agora o livro deve ir pra outra prateleira. A das histórias bem vividas e acabadas.

 

Já estou com o lápis e a borracha nas mãos, de frente para a página em branco, desejosa de escrever de novo.

Vou começar sozinha. O primeiro capítulo é só meu.

23

de
fevereiro

Tem conserto?

Foto tirada pelo meu amigo querido, Pedro Sanguinetti

 

 

A quem você quer enganar?

E eu? A mim mesma?

 

Por que não seguimos com as nossas vidas, preparemos para conhecer gente nova, outras caras, novas falas.

 

Por que não vivemos a vida pelo jeito mais simples e que sabemos qual é? Para que insistirmos nessas dúvidas constantes? Por que não aproveitamos nossos bons momentos e deixamos de desenterrar mortos, reviver mágoas, relembrar frases?

 

Estava me esquecendo de tudo. Estava disposta a partir para outra. A aprender com os erros e esquecer os fatos. Mas você veio, de mansinho, e quando me dei conta, estava trazendo tudo à tona.

 

Carregava consigo tantas questões, que quando menos esperava, você cobrou as respostas com juros e correção. Foi injusto comigo. A minha roupa suja já estava secando no varal.

 

O racional é virarmos as costas e seguirmos, como se não houvesse tido esse tempo. O mais plausível é nos convencermos de que houve muito mais influências do que julgávamos. Houve mais mal entendidos que pedidos de desculpas, que arrependimentos.

 

O racional é deletarmos esses poucos dias. Voltar atrás e nem se expor à sua família. Continuar com o apoio intacto deles.

 

O que não sabemos é se estamos desistindo cedo demais. Se estamos abandonando o jogo na primeira dificuldade (e afinal de contas, não sabíamos de todas elas?).

 

Queríamos uma certeza. Nunca a teremos.

 

Para tudo o que decidirmos, permanecerá a dúvida de qual terá sido a melhor escolha. É como aquela música que os Titãs cantam: "…é cedo ou tarde demais pra dizer adeus, pra dizer jamais?"

 

Não sabemos. Não sabemos o que nos espera. Os desafios que teremos que enfrentar, e mais ainda: não sabemos se queremos.

 

Eu não sou masoquista. Não vou viver nada que no fim das contas, no mínimo, não me proporcione coisas boas.

O problema foi que você mudou muito. Diz coisas colocadas em sua boca, pensa com outras cabeças.

Eu não sei se quero arriscar a incerteza de quem me cobria de certezas.

 

Sei que amar já não basta. Que querer estar junto não é o suficiente.

Sei que teremos que estar preparados para o que decidirmos.

 

Qualquer opção agora deverá ser mantida. Sem escapes, sem momentos, sem desculpas, sem justificativas.

Deixa eu pensar. Deixa eu ver se adianta.

9

de
fevereiro

E agora?

E agora?

 

E agora você surge como se nada tivesse acontecido, ri como se não tivesse chorado tanto.

 

Volta como se tivesse chegando de uma breve viagem e abre os braços que desejam encontrar meu abraço.

Espera de mim uma ansiedade de reencontro assim como a sua, que finge esquecer os motivos do nosso sumiço.

 

Os dias se passaram. Pensamentos vários vieram à mim. Desejei coisas boas e ruins a ti.

Já iniciei as mudanças da minha vida e comigo mesma.

Não esperava esse retorno. Não dessa forma.

 

Não vieste com um pedido de desculpas. Desembarcou como um continuísta, que só quer saber "onde foi que paramos?" para seguir adiante com a estória.

 

Eu não! Continuei seguindo os dias, e assim como o calendário, passei por todos eles, sem deixar nenhum em branco! Conheci gente diferente, freqüentei lugares novos. 

Chorei o que tive que chorar e me esforcei a rir.

 

Será que para você nada mudou?

 

Também tento esquecer as coisas ruins que me acontecem. Mas não por completo. Não posso correr o risco de reviver meus erros sem nenhum aprendizado. Não posso nem me dar a esse luxo.

 

E agora vem você, contando suas piadas, chamando pelos velhos apelidos, pedindo os mesmos beijos.

 

Mas as coisas não são tão fáceis. Não há como voltarmos atrás e mudarmos o que aconteceu. Nem como seguirmos em frente e esquecermos as razões que nos trazem aqui, nesta situação. 

 

O mérito agora não é quem está certo ou errado. A questão ultrapassa o simples pergunta x resposta. Muitas coisas devem mudar, e elas nem te dizem mais respeito. A mim também não…

 

Vamos esperar… ainda é cedo demais. Ou não.

 

 

 

 

1

de
fevereiro

Diferentes amores

Sou só eu quem penso que existe amor diferente?

Bom, primeiro explico:
A minha ‘teoria’ é de que nenhum amor é igual ao outro.
Os pais não amam seus filhos da mesma maneira, assim como amor ao pai e à mãe são diferentes.
Talvez não mais ou menos. Nem uma coisa é melhor ou pior que a outra. Nada disso.

Eu só penso que o amor é feito de um monte de coisas, e uma delas é a afinidade. Temos mais afinidade com o pai ou com a mãe, e isso não quer dizer que preferimos um ao outro, apenas que temos mais afinidade com um; o amor é diferente.
Ainda reitero que as afinidades são passageiras. Não. As afinidades mudam conosco e com o tempo.
Tem época de se preferir quem escute, e tem a de preferir quem fale.

Só quis explicar que para mim, nenhum amor é igual ao outro.

Eu amei de formas, intensidades, sabores e entregas diversas.

Meu primeiro amor foi platônico. Amava sozinha, calada e feliz.
Já amei de corpo, alma e coração. Amei só de corpo também.
Amei certezas, amei dúvidas. Amei projeções, atitudes, e amei muito, mas muito mesmo, promessas.
Amei carne-e-osso, amei virtual.
Amei homens bons e outros nem tanto. Homens ruins também.
Mais novos e mais velhos.

E nenhum deles foi igual.

Já amei de ser mãe e de ser filha. Já fui até a irmã que não existia.
Já amei com muita inocência e foi muito diferente de quando amei com desconfiança.

Já amei maternalmente. Daquele amor de cuidar do lar, do almoço e jantar, das roupas limpas e bem passadas. De cuidar da casa arrumada, dos filhos na escola. O cuidar minucioso.

Já amei paternalmente. Amava protegendo. Fazia os roteiros das férias, cuidava dos detalhes, pagava as contas. Amor de pai mesmo, do tipo que cuida da estabilidade, das economias.

(Talvez a mulher ame para dentro e o homem para fora.)

Se me perguntares quem mais amei, não sei responder.
Sei que amei quem nem me lembre mais, diferente de quem me lembre demais.
Não me arrependo de nenhum amor. Por mais frustrante que o desfecho tenha sido, valeu a pena. Em cada amor, por mais breve que foi, fui sempre feliz.

Para mim não há amor sem felicidade e nem felicidade sem amor.

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