31
de
agosto
A minha irmã

Imagem de Soraia A Guedes
Coisa que me tira do sério é ingratidão.
Faço exercício diário de tentar entender as pessoas e os motivos de suas atitudes.
Relevo grandes equívocos porque sou a favor da compreensão – e sei que ninguém é perfeito.
Mas me tira do prumo a tal da ingratidão.
Não acho que ninguém tem uma “dívida” a se pagar, mas acho o reconhecimento um gesto nobre.
Nem que seja: “sei que fez por mim, mas não posso fazer o mesmo por você.”
Perco meu humor com ingratidão.
Até hoje não consegui justificá-la.
Fiz um monte por ela. Já assinei confissão que não era minha e falei de boca fechada.
Levantei bandeira, justifiquei erros.
Fiz sem cobrar nada em troca. Fiz porque quis.
Não quis “muito obrigada” e não quis que fizesse o mesmo.
Mas um belo dia, sem nada mais a falar, ela foi ingrata.
Cobrou meu reconhecimento.
Disse que eu nunca abri a boca para elogia-la.
Chacoteou minha personalidade.
O dia ficou marcado.
Falou porque queria platéia. Falou porque quis descontar em alguém o que tinha escutado.
Virou-se para o lado e só viu a mim.
(mal sabia porque era eu quem estava do seu lado)
Cega, cuspiu o que o ouviu.
Eu não tenho tolerância a ingratidão.
Tentei justificar para mim o que tinha acontecido. Não consegui.
Não consigo com esse sentimento.
Descobri que tudo o que eu fiz eu quis o reconhecimento do companheirismo.
Uma vez a mãe de uma amiga me disse que quando não há companheirismo, não dá.
Acho que ela está certa.
Até hoje não deu mais.



