Amor em pedaços

28

de
junho

Indo

 

“- Por favor, a Elise está?”
“- Tá não, moça. Ela já tá de férias e foi pro Mato Grosso. Só volta em Agosto. Você tem o celular dela?”
“Tenho sim, obrigada.” [...]

Pronto!
Me dei conta só agora! Já estamos no meio do ano. Férias em massa, e eu aqui, parada e sem ver o tempo passar.

Fiquei pensando na vida e não enxerguei o calendário.

Já estamos no mês sete (quase) e só restam cinco para o ano acabar.

Esse ano passou em branco por mim.
(Tem algum numerólogo aí? 2008 não é meu ano?)

Hum… nem quero ver minhas metas do Natal. Será que em 5 meses consiguiria cumpri-las?

Fiz poucas matérias na pós e depois de um início de ano corrido, tenho ‘empurrado’ o trabalho de conclusão. Ainda nem mudei de nível no Inglês; não fiz as viagens que queria; não encontrei os amigos antigos; não li os livros que prometi; não estudei quanto deveria. Não consegui o emprego dos meus sonhos; não estou com o abdome em gominhos e nem fiz atividade física.

Ainda não esqueci de vez o ex; não fiz novas amizades; não movimentei minha vida cultural. Não comecei minha terapia; não tenho me envolvido em voluntariado e nem me dediquei à nenhuma religião.

Estou no novo apê e me sinto um apêndice dele.
Nele fiquei 85% do tempo de 2008.

Pára tudo!
Volta o calendário!

Eu nem me lembro o que fiz no Carnaval ou no meu aniversário desse ano!
(E olha que sou capaz de dar detalhes de todo o meu ano passado e retrasado.)

Volta as folhinhas!

Ainda nem conheci a pessoa interessantíssima que a taróloga previu para o início do ano.

Começa de novo!

Passei o ano inteiro (até agora) fugindo de problemas antigos e tentando, sem sucesso, solucioná-los.

 

Acho que tô precisando de problemas novos e agora vou em busca deles.

Afinal, ainda me restam 5 meses…

26

de
junho

A velhice

De volta…

Estive uns tempos na casa dos meus avós, vivi a vida deles por duas semanas.

 

Voltei para casa arrasada.

 

Meu Deus! O que é a velhice para meus avós! E será que vai ser assim comigo?

 

Envelhecer é sentir as mudanças do corpo e não poder fazer nada?

 

É ter na gaveta mais xaropes, pomadas e comprimidos que fotos das amigas, cartas do namorado?

 

É andar com dificuldade e ver na parede troféus e medalhas de competições de corrida?

 

É passar as tardes só, esperando alguma visita? 

É contar os mesmos casos, as mesmas piadas, as mesmas estórias repetidamente, sem perceber?

(E com isso notar a falta de paciência das pessoas?)

 

Envelhecer é não ter mais o tempo e fazer tudo como se fosse pela última vez?

 

É se deparar com a morte e fingir naturalidade?

 

É não se lembrar do começo e temer o fim?

 

 

É ter que superar a perda de pai, mãe, alguns irmãos, talvez filhos?

 

É viver cheio de manias e pensar que está muito tarde para mudar?

 

É ir ao supermercado para comprar arroz e trazer açúcar?

 É ter falhas de memória? É ficar esclerosado?

 

É pedir e ser atendido?

(E sentir a doação mais como obrigação do que vontade própria?)

 

 

É ter hábitos ultrapassados que viram chacota na família toda?

 

É querer todo mundo reunido no Natal mas não mais admitir barulho?

  

Não consigo me imaginar vivendo assim, mas como sempre diz o meu pai, "envelhece quem está vivo".

Então, que venha os próximos (muitos) anos!

 

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