Amor em pedaços

3

de
março

O ponto final

 

As orações precisam de um desfecho.

Quando um texto se torna muito repetitivo, é hora de começar um novo parágrafo ou senão abandonar aquele esboço. Dar fim a ele.

 

Foi isso. As frases que terminavam em interrogações e reticências me cansaram. Preciso de certeza, seja qual for.

 

Talvez, nós mulheres, ao nos depararmos com vírgulas, agimos sem pensar, e instintivamente, damos continuidade ao texto, mesmo que ruim, mal escrito, mesmo que sós.

 

A interrogação nos instiga. Queremos responder. Temos resposta para tudo!

As reticências então… soam como um suspiro. Como uma tomada de ar breve para dar mais fôlego. Quase um novo começo.

 

Homens são covardes. Colecionam textos inacabados, histórias sem fim.

 

Já fui personagem de uma história dessas. Escrevia sempre, buscando minhas melhores palavras, tomando cuidado com a ortografia, inventando novas rimas.

 

Um dia me dei conta. Estava sozinha.

A letra era toda minha. Cabia apenas a mim o desfecho. Coloquei sozinha o ponto final.

 

Joguei fora o livro, que se repetia da primeira à última página. Monótono.

 

O personagem se repetia em outras histórias. Enquanto eu era fiel ao nosso texto, ele participava de novos livros. Todos sem fim, na prateleira, na espera ansiosa.

 

Dessa vez fiz melhor. Nas primeiras linhas que começaram a surgir apenas os meus grafismos, me antecipei e pus fim à história.

 

Prometia ser uma história longa, dessas de sucesso.

 

Mas não se deve comprar um livro pela capa.

 

O conteúdo mudou. Agora o livro deve ir pra outra prateleira. A das histórias bem vividas e acabadas.

 

Já estou com o lápis e a borracha nas mãos, de frente para a página em branco, desejosa de escrever de novo.

Vou começar sozinha. O primeiro capítulo é só meu.

Arquivado em: Sem categoria I

1 Comentário »

  1. Comentário por EDUARDO LINS — 16 16UTC março 16UTC 2008 (14:10)

    Cada dia de nossas vidas é uma nova página a ser escrita. Podemos rasgá-la e não escrevermos nada. Ou podemos fazer de hoje uma nova história, sem pontos finais, com algumas vírgulas é claro, porque precisamos delas para pensarmos melhor nas opções que temos. Comece uma nova história e faça diferente, junte todas as suas experiências e olhe as suas qualidades. Esqueça do que não é fonte de vida. Se refaça. Reconstrua um novo trajeto, dê um novo sentido aos teu passos. Porque nesta vida as coisas valem muito menos do que imaginamos. Prinicipalmente quando somos novos esquecemos que tudo um dia acaba e que hoje é a melhor fase de nossas vidas. Viver é uma dádiva, uma glória que Deus nos deu e nos dá. Muitas vezes complicamos as coisas. Muitas vezes tentamos justificar tudo, sendo que as vezes é melhor deixar as coisas rolarem.
    Um ponto final é sempre um começo. Comece uma nova história. Faça diferente!

    BEIJOS E TUDO DE BOM !

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