Amor em pedaços

23

de
fevereiro

Tem conserto?

Foto tirada pelo meu amigo querido, Pedro Sanguinetti

 

 

A quem você quer enganar?

E eu? A mim mesma?

 

Por que não seguimos com as nossas vidas, preparemos para conhecer gente nova, outras caras, novas falas.

 

Por que não vivemos a vida pelo jeito mais simples e que sabemos qual é? Para que insistirmos nessas dúvidas constantes? Por que não aproveitamos nossos bons momentos e deixamos de desenterrar mortos, reviver mágoas, relembrar frases?

 

Estava me esquecendo de tudo. Estava disposta a partir para outra. A aprender com os erros e esquecer os fatos. Mas você veio, de mansinho, e quando me dei conta, estava trazendo tudo à tona.

 

Carregava consigo tantas questões, que quando menos esperava, você cobrou as respostas com juros e correção. Foi injusto comigo. A minha roupa suja já estava secando no varal.

 

O racional é virarmos as costas e seguirmos, como se não houvesse tido esse tempo. O mais plausível é nos convencermos de que houve muito mais influências do que julgávamos. Houve mais mal entendidos que pedidos de desculpas, que arrependimentos.

 

O racional é deletarmos esses poucos dias. Voltar atrás e nem se expor à sua família. Continuar com o apoio intacto deles.

 

O que não sabemos é se estamos desistindo cedo demais. Se estamos abandonando o jogo na primeira dificuldade (e afinal de contas, não sabíamos de todas elas?).

 

Queríamos uma certeza. Nunca a teremos.

 

Para tudo o que decidirmos, permanecerá a dúvida de qual terá sido a melhor escolha. É como aquela música que os Titãs cantam: "…é cedo ou tarde demais pra dizer adeus, pra dizer jamais?"

 

Não sabemos. Não sabemos o que nos espera. Os desafios que teremos que enfrentar, e mais ainda: não sabemos se queremos.

 

Eu não sou masoquista. Não vou viver nada que no fim das contas, no mínimo, não me proporcione coisas boas.

O problema foi que você mudou muito. Diz coisas colocadas em sua boca, pensa com outras cabeças.

Eu não sei se quero arriscar a incerteza de quem me cobria de certezas.

 

Sei que amar já não basta. Que querer estar junto não é o suficiente.

Sei que teremos que estar preparados para o que decidirmos.

 

Qualquer opção agora deverá ser mantida. Sem escapes, sem momentos, sem desculpas, sem justificativas.

Deixa eu pensar. Deixa eu ver se adianta.

9

de
fevereiro

E agora?

E agora?

 

E agora você surge como se nada tivesse acontecido, ri como se não tivesse chorado tanto.

 

Volta como se tivesse chegando de uma breve viagem e abre os braços que desejam encontrar meu abraço.

Espera de mim uma ansiedade de reencontro assim como a sua, que finge esquecer os motivos do nosso sumiço.

 

Os dias se passaram. Pensamentos vários vieram à mim. Desejei coisas boas e ruins a ti.

Já iniciei as mudanças da minha vida e comigo mesma.

Não esperava esse retorno. Não dessa forma.

 

Não vieste com um pedido de desculpas. Desembarcou como um continuísta, que só quer saber "onde foi que paramos?" para seguir adiante com a estória.

 

Eu não! Continuei seguindo os dias, e assim como o calendário, passei por todos eles, sem deixar nenhum em branco! Conheci gente diferente, freqüentei lugares novos. 

Chorei o que tive que chorar e me esforcei a rir.

 

Será que para você nada mudou?

 

Também tento esquecer as coisas ruins que me acontecem. Mas não por completo. Não posso correr o risco de reviver meus erros sem nenhum aprendizado. Não posso nem me dar a esse luxo.

 

E agora vem você, contando suas piadas, chamando pelos velhos apelidos, pedindo os mesmos beijos.

 

Mas as coisas não são tão fáceis. Não há como voltarmos atrás e mudarmos o que aconteceu. Nem como seguirmos em frente e esquecermos as razões que nos trazem aqui, nesta situação. 

 

O mérito agora não é quem está certo ou errado. A questão ultrapassa o simples pergunta x resposta. Muitas coisas devem mudar, e elas nem te dizem mais respeito. A mim também não…

 

Vamos esperar… ainda é cedo demais. Ou não.

 

 

 

 

1

de
fevereiro

Diferentes amores

Sou só eu quem penso que existe amor diferente?

Bom, primeiro explico:
A minha ‘teoria’ é de que nenhum amor é igual ao outro.
Os pais não amam seus filhos da mesma maneira, assim como amor ao pai e à mãe são diferentes.
Talvez não mais ou menos. Nem uma coisa é melhor ou pior que a outra. Nada disso.

Eu só penso que o amor é feito de um monte de coisas, e uma delas é a afinidade. Temos mais afinidade com o pai ou com a mãe, e isso não quer dizer que preferimos um ao outro, apenas que temos mais afinidade com um; o amor é diferente.
Ainda reitero que as afinidades são passageiras. Não. As afinidades mudam conosco e com o tempo.
Tem época de se preferir quem escute, e tem a de preferir quem fale.

Só quis explicar que para mim, nenhum amor é igual ao outro.

Eu amei de formas, intensidades, sabores e entregas diversas.

Meu primeiro amor foi platônico. Amava sozinha, calada e feliz.
Já amei de corpo, alma e coração. Amei só de corpo também.
Amei certezas, amei dúvidas. Amei projeções, atitudes, e amei muito, mas muito mesmo, promessas.
Amei carne-e-osso, amei virtual.
Amei homens bons e outros nem tanto. Homens ruins também.
Mais novos e mais velhos.

E nenhum deles foi igual.

Já amei de ser mãe e de ser filha. Já fui até a irmã que não existia.
Já amei com muita inocência e foi muito diferente de quando amei com desconfiança.

Já amei maternalmente. Daquele amor de cuidar do lar, do almoço e jantar, das roupas limpas e bem passadas. De cuidar da casa arrumada, dos filhos na escola. O cuidar minucioso.

Já amei paternalmente. Amava protegendo. Fazia os roteiros das férias, cuidava dos detalhes, pagava as contas. Amor de pai mesmo, do tipo que cuida da estabilidade, das economias.

(Talvez a mulher ame para dentro e o homem para fora.)

Se me perguntares quem mais amei, não sei responder.
Sei que amei quem nem me lembre mais, diferente de quem me lembre demais.
Não me arrependo de nenhum amor. Por mais frustrante que o desfecho tenha sido, valeu a pena. Em cada amor, por mais breve que foi, fui sempre feliz.

Para mim não há amor sem felicidade e nem felicidade sem amor.

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