12
de
janeiro
Carta sem destinatário

Onde foi que erramos?
Talvez foi porque deixamos de nos escutar e começamos a escutar os outros.
Deixamos de vivermos juntos, a nossa vida, para vivermos a vida de quem quer que fosse.
Talvez a intimidade ultrapassou nossos limites aceitáveis. As viagens, muitas delas, eram dispensáveis. Poderia ter sido a oportunidade para sentirmos saudade, mas a gente forçou tanto, que se transformou em mais um fator do desgaste.
Quisemos viver tudo em tão pouco tempo, que desafiamos as leis da natureza. Debitamos mais do que creditamos, saímos no vermelho.
Prometemos mais do que algum dia, poderíamos cumprir.
Desgastamos as nossas amizades, envolvemos as nossas famílias.
Deixamos de ser 2 e fomos 5, 6, 8 e até 10.
Namoramos mais em público do que entre quatro paredes. Não fomos cúmplices quando precisava, não aproveitamos o silêncio. Fui mãe e você foi filho, mas eu nunca quis você como filho e você já tem a sua mãe.
Na tormenta, você se virou e foi. Não te perdôo por isso. Hoje não. E talvez nunca consiga.
Apagaste todo o tempo que ficamos juntos; lembra-se apenas das últimas horas. Lembra-se do que falei, mas esqueceu-se por completo do que ouvi. Foi sucumbido às ameaças, às chantagens. O seu bolso pesou mais que seu coração.
Não quis me ouvir e nem se colocou em meu lugar. Talvez no fundo, eu te compreenda. Mas há em mim uma parte muito grande que se sente abandonada. Isso, sem levar em conta o desrespeito, a desconsideração.
A sua dependência afetiva é determinante. Te conheço, sei disso. Mas nada justifica a sua voz muda. Nunca quis que se pusesse contra eles e a favor de mim. Isso seria exigir demais de você. Só esperei de ti mais presença, mais consideração, e principalmente, mais respeito com tudo o que vivemos.
Imagino que hoje, quando perguntado como estás, abres um sorriso e diz-se muito bem. Promete um ano animado, diferente dos que foram. Engana a todos e a você mesmo.
Quanto a mim, estou indo, tentando ficar bem. Conheci seu lado infantil, seu lado despreparado e influenciável. Assisti a um jogo baixo, que excluía as únicas pessoas envolvidas em tudo: eu e você. Não foste homem, não teve culhão, não honrou suas palavras. Se assumiu como um frágil ser que necessita ser cuidado, seu personagem favorito.
Todo o meu respeito. (reverências)
Acho que mesmo depois de tudo, eu ainda estou melhor. Cortei meus laços com você e com todo o resto que você carregava. Você continua com a casa lotada. Estou aqui, trilhando meu caminho, como alguém que toma as próprias atitudes, que tenta acertar, mas que erra muitas vezes (sou humana!). E quando erro (e acerto também), sei que posso contar com a minha família, com os meus amigos, comigo mesma.
Sabe, eu tenho as rédeas da minha vida. E não há mais nada que eu queira.
E você me dá licença, que vou ser feliz!


Comentário por EDUARDO LINS — 13 13UTC janeiro 13UTC 2008 (9:44)
Oi !!! Tudo bem encanto ? Por acaso encontrei o seu blog ontem. Comecei lendo os teus post’s anteriores. Achei o máximo o seu ponto de vista diante do amor, que por sinal, se identifica com o meu. Achei muito interessante a relação que você diz que podemos melhorar, que o amor é uma cumplicidade, é abrir mão de algumas coisas… e etc.
Mas agora lendo este último post, cheguei a ficar triste. Entendo e compreendo o que se passa. Olha, muitos não sabem o que é o amor, muitas pessoas tem pontos de vista diferentes, muitos não possuem aquela Visão diante da “vida e dos fatos.” Paciência. O tempo é o caminho pra vitória, logo encontrará o seu lugar, o seu porto seguro. Estará muito feliz e realizada. É como uma frase que ouvi e acabei não esquecendo: “O que não mata fortalece”.
Que Deus Abençoe VOCÊ!!!
DE: EDUARDO LINS
BLOG: identidadehumana.blog.terra.com.br
Comentário por Eduardo Lins — 13 13UTC janeiro 13UTC 2008 (21:39)
Sei que a vida é feita de pessoas diversificadas por natureza. As vezes andamos, andamos e andamos por longo tempo a procura de alguém que nos compreenda ou pare para nos ouvir. Me encantei por ti. Me encantei por tuas palavras. Estarei aqui, bem aqui se você quiser se comunicar, quiser se abrir… Você és especial…
Que a paz do Senhor Jesus esteja contigo!
Ótima semana!
DE: EDUARDO LINS
BLOG: identidadehumana.blog.terra.com.br
Comentário por Katucha — 25 25UTC janeiro 25UTC 2008 (7:57)
è, seu blog é realmente encantador…todos os textos são profundos e mesmo assim singelos…é impossÃvel não ler até o final…fostei muito…já até te favoritei para não perder de vista…rs…
Bjinhos
*Devaneadora*