11
de
janeiro
Quando não se tem o que se quer
É difícil não ter o que se quer, né?
Abrir mão de nada é fácil. O ser humano vive e deseja, é assim, intríseco.
Não digo de bens materiais, não me confundam. Ninguém nunca terá tudo que quer. Seria chato demais.
Eu falo de não ter um abraço apertado que queira acabar com seus problemas, um colo que te desligue do mundo, uma palavra que soe como solução para tudo, um afago qualquer que quase te faça levitar.
Quando não se tem o que traga conforto, fica muito mais difícil olhar pela janela e admirar o céu azul, abrir o diário e relembrar os sentimentos de cada linha daquelas ou até descobrir novos e bons sabores…
Quando não se tem o que se quer nos tornamos duros, frios, calculistas.
Tudo o que nos trazia admiração é enjoativo.
É como se colocássemos óculos escuros permanentes. Não vemos as cores da vida.
Imaginamos um infortúnio destino, um desenrolar sem graça, sem vontade de ser.
Cobramos das pessoas à nossa volta em silêncio. Através de agressões, impaciência e indiferença. Lançamos o código de que não estamos bem, mas ele é indecifrável.
E afinal de contas, Freud diria que essa era a intenção.
Fácil seria pedir ajuda, desabafar, se aconselhar.
Não é isso que se quer. Se quer ações espontâneas, do âmago de quem o faz.
Quando não se tem o que se quer, pode-se fazer!
Tirar os óculos, limpar a casa e se perfumar, estando pronto para o que a vida oferece.
O rio, uma hora, deságua no mar…


Comentário por paulo roberto — 12 12UTC janeiro 12UTC 2008 (14:02)
incrivel …incrivel texto ..
muito sentimento nele