11
de
janeiro
Procura-se

Cristo Redentor, Rio de Janeiro, Brasil.
Uma das sete maravilhas do Novo Mundo!
Procurava um amigo. Um amigo fiel, de todas e para todas as ocasiões.
Encontrou colegas. Pessoas que não se importavam tanto. Não a ponto de emprestar o cobertor, ceder a casa ou parar o relógio.
Encontros geralmente esporádicos. Antecedidos por desculpas, compromissos em cima de hora, ou doenças mirabolantes.
Queria ter um. Apenas um amigo que fosse carne. Seria, então unha, melhor amigo, alma gêmea!
Os colegas pareciam cada vez mais íntimos. Cada vez mais distantes dele.
Uma amizade se formou. E ele ficou de fora.
Tentou por diversas vezes indicar emprego, uma vaga no estacionamento, apresentar o homem dos sonhos. E tudo isso, para quê?? Ninguém lhe procurava, não lhe pediam conselhos, indicações, receitas.
Tentava entender, mas não compreendia. Julgava ser seu sucesso o impecilho. Talvez os colegas sentissem inveja… Quem sabe?
Poderia ser também o amor-romântico-idealizado-perfeito que mantinha. Ciúmes incontrolável. As pessoas se mostram tão mesquinhas de vez em quando…
Seus motivos torpes o impedia de enxergar a verdade.
Não era o carro, a marca da bolsa ou o seguro-saúde que os afastava.
A vontade de ter amigo era tão grande que não se importava em mentir, deturpar, inventar. Lançar seu veneno em terreno infértil para tal era cometer o suicídio, desfazer-se de seu desejo com maior facilidade, sem arrependimentos ou sentimentos de culpa por parte dos colegas.
Estes, se colocavam em seus lugares. A denominação era importante. Colega. Nada mais que isso. Impossível ir além.
As provas já eram suficientes, mas ainda insistiam no encontro, tentando dar terceiras, quartas e milésimas oportunidades de ver acontecer diferente, acreditando na possível mudança.
Mas não adiantou. A frustrada vontade de ter um fiel amigo se tornou vontade de que ninguém o tivesse. Se ele não poderia ter, ninguém mais teria!
Se esbarrou no laço já firmado. Se esbarrou em sentimentos puros e sinceros. Em cumplicidade, em companheirismo. Se esbarrou na verdadeira amizade. E contra ela…não há quem possa.
Não teve sucesso. E fica a dúvida se tentará novamente.
Como os vilões de histórias em quadrinhos, que sempre voltam. Como o Coringa nos desenhos do Batman.
Oxalá que não tente. E que encontre um verdadeiro amigo.
Que seja, definitivamente, feliz e que suporte presenciar felicidade alheia.

